terça-feira, 28 de junho de 2011

Era uma vez...

Entre todos os momentos que me encontrei perdida, em todos os séculos que vivi,e entre todos os momentos que me senti estranha e excluída, nunca pensei que pudesse ser desse jeito que as coias terminam.

Sabe quando você tem um peso gigantesco nas suas costas? E você simplesmente não pode tirar de cima de você esse peso?

Mais ou menos como O Senhor dos Anéis... O anel pesando no pescoço... uma coisa ruim que o sugava e mesmo assim ele acreditava que era algo que ele não conseguiria se libertar... algo que parecia bom. Seu ... Precioso.

Mas como um dos personagens do filme diz (Gandalf) quando o portador do anel desejou que essa responsabilidade não fosse sua: "em momentos assim todos nós desejamos algo assim. Mas não é de nossa responsabilidade decidir isso. A nós cabe decidir o que fazer com o tempo que nos é dado."

E é nesse estágio que estou...


by Sappho

segunda-feira, 6 de junho de 2011

"Ready to start"

Música da banda Arcade Fire, que eu estou escutando desde Dezembro de 2010, quando escutei pela primeira vez na radio e pensei que pudesse ser Smiths (doce ignorância).

Após tudo que esta mortal imortal poderia passar, vou parafrasear a música READY TO START:

http://www.youtube.com/watch?v=9oI27uSzxNQ

"Empresários bebem meu sangue
Como as crianças na escola de arte dizem que fariam
E eu acho que vou começar de novo
E você diz que podemos ser amigos

Se eu estivesse assustada,
eu seria
Se eu estivesse entediada
você sabe que eu seria
Se eu fosse sua, mas eu não sou

Todas as crianças sempre souberam
Que o imperador está nu
Mas curvar-se a ele
é melhor do que estar só

Agora você está batendo a minha porta
Dizendo, por favor, saia e vamos enfrentar a noite
Mas eu prefiro ficar sozinhar
Do que fingir que estou bem

Empresários bebem meu sangue
Como as crianças na escola de arte dizem que fariam
E eu acho que vou começar de novo
E você diz que podemos ser amigos

Se eu estivesse assustada,
eu seria
Se eu fosse pura
você sabe que eu seria
Se eu fosse sua, mas eu não sou
Agora estou pronta pra iniciar

Eu preferiria estar errada
do que viver nas sombras de sua canção
Minha mente está aberta
E agora estou pronta pra começar
Sua mente com certeza abriu a porta
para sair na escuridão
Agora estou pronta."

quinta-feira, 2 de junho de 2011

What would you do...?

O que você faria se pudesse ler os pensamentos do outro? Saber o que ele está pensando? Saber o que ele está querendo? Desejando?
O que faria se pudesse penetrar nos corredores mentais de qualquer outro ser? Você se atreveria a ir mais fundo, procurar o céu... ou encontrar a lama? Poderia lidar com os traumas? Poderia lidar com o que pensam de você? Ou pior: poderia lidar com o que não pensam de você?
Afinal, pior do que não ser lembrada é ser esquecida!

Você se aproveitaria de alguéam que você gosta para ser tudo aquilo que ele ou ela desejam, precisam... anseiam?

Você tentaria descobrir as senhas dos cartões de débito, crédito? Saber onde está aquele presente? Saber se vai ganhar presente? Ficar triste por antecipação? Ficar feliz? Fazer algo e ter uma reação falsa de alguém que você gosta e fez tudo com tanto carinho? Ou, ao contrário, fazer metade do que você poderia e ter satisfação total?

Saberia lidar com a dor, com a felicidade... e com o fato de nem sempre você fazer parte desses momentos?

Tantas coisas que poderíamos ver para aprender mais do ser humano... quantas máscaras que cairiam...

Mas, você aguentaria a quebra da ilusão também? Da vontade de crer, da força da idéia que alguém desperta em você?

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Tudo acontece precisamente como deve ser... PRECISAMENTE!

Bem... como boa habitante da ilha de Lesbos, ou com o espírito curioso de uma, pelo menos, eu me embrenhei e fiquei assistindo Xena nas últimas semanas.

Claro que não tem muita coisa a ver com a mitologia... Sério... não tem!

Afrodite quer morrer toda vez que vê que estou assistindo. Ela gosta da homenagem (claro!!), mas odeia as inconsistências históricas.

Quanto a mim, eu assisto porque gosto do fato de exitir uma mulher como a Xena, que apesar de tudo, ela admite suas fraquezas, admite que tem um lado negro, admite que muitas das coisas que faz, ela encontra inspiração em sua amiga Gabrielle (quer dizer... mais que amiga, né??? Como diz Afrodite : "Hellloooo-oooo!!") e sem contar as aventuras. É legal, tem de tudo. Uma cuida da outra, é bonito de se ver. Mesmo no começo quando Xena não queria ninguém perto dela, ela sempre se mostrou muito fofa com a Gabrielle, que aos poucos conquistou sua confiança e evoluiu conforme as temporadas foram avançando.

Ou seja, existe uma evolução nas personagens, existe uma proximidade e uma eterna troca de aprendizado entre as duas, que é fantástica. Isso pode ser claramente visto nos episódios-chave que fazem parte da mitologia da série; inclusive sobre procurar e encontrar o seu próprio caminho, perdoando os outros e, acima de tudo, perdoando-se.

E nesses caminhos elas param em Roma, Britânia, India, China, Japão, Países Nórdicos, Oriente Médio...

E nesses caminhos, uma das coisas que ambas as personagens aprendem é que não há fugas... que tudo acontece como deve acontecer... quem tem que estar em sua vida sempre estará ali. E nunca amaldiçoe certas situações pelas quais você passa, pois somente assim você poderá superar-se. Vamos a sessão auto-ajuda de novo, mas sem conflito, não há paz. Sempre estamos entrelaçados com o nosso destino atual, e sempre estaremos, mesmo em realidades alternativas, em caminhos dispersos.

As vezes, pode parece que é superficial e tem ums episódios realmente bem chatinhos, mas 80% é perfeitamente interessante e pelo menos 50% acabam ensinando e mostrando lições sobre perdão, equilíbrio entre o bem e o mal, aprender que o destino vem para nos ensinar, e o amor verdadeiro, seja ele em qual forma vier. No caso, para Gabrielle veio no formato de Xena. E no caso de Xena, ela amou muitos, mas sua alma gêmea (como ela mesma diz) é Gabrielle.

E tudo me faz perceber que eu tinha que estar neste plano terrestre, viver tudo o que eu precisava viver, para entender, aprender, seguir em frente. Não é fácil seguir em frente, mas é necessário.

Enquanto isso... "Na época dos deuses antigo, senhores de guerra, e reis, uma terra tumultuada clamava por uma heróina... Ela era Xena! Uma poderosa princesa forjada no calor da batalha."

"Tudo acontece precisamente como tem que acontecer..."




http://www.youtube.com/watch?v=Y_Yo_RxxBas

Esse é um dos muitos videozinhos que tem do episódio When Fates Collide, que fala sobre como mudar o destino... ou como não mudar.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Agitação...

Vida de Deus não é fácil. Ainda mais quando a gente pretende atender a todos.
Mas, como diz o velho... velho velho ditado: não se pode agradar a gregos e troianos.

Bem... domingo a noite, uma turma do Olimpo resolveu se mesclar ao povo de SP e o local escolhido foi um café na rua frei caneca, perto do Shopping, no coração agitado de São Paulo, próximo a Rua Augusta (que eu a-d-o-r-o!).

Estava lá a Hebe (não a Camargo...) servindo a todos com seu charme de sempre. Vi Apolo se exibindo com outros rapazes. E, claro.. não podemos esquecer de Atena, inteligentissima, resolveu se divertir um pouco junto aos mortais e seus irmãos.Tudo idéia de nosso amigo Baco, deus da diversão e do vinho! Ele adivinha o aniversário das pessoas e sempre dá um jeito de unir a todos!

Mas nessa noite, eu estava de folga... então, nenhuma paixão súbita ocorreu... Pelo contrário: fiquei sabendo que teve briga entre Hércules e Mégara... oh, ciúme! Vou pedir para Eros dar um jeito nisso. É um trabalho que sozinha não conseguirei fazer!

Fiquei sabendo que depois Atena foi para a Loca, ali pertinho do bar. E levou consigo Narciso... O que será que deu essa mistura dentro de um inferninho?

domingo, 1 de maio de 2011

pó de pirlimpimpim

Uma das teorias que mais escuto dentro de meu papel como deusa do amor é encontrar a pessoa certa, na hora errada.

E vou contar um segredo reservado apenas a alguns: não existe isso. Essa é a desculpa que encontramos para nos livrarmos de culpa ou teimosia em viver uma situação saturada.

O que existe é pessoas que encontram pessoas. E essas pessoas que se encontram se ensinam coisas, uma aprende com a outra, e uma mostra para a outra a realidade que vivem contra a realidade alternativa que elas poderiam viver juntas. E, geralmente, a realidade alternativa é bem mais interessante e parece ser como uma miragem no deserto. Mas em todos os casos, é um portal. Um portal que utilizado para que você possa vislumbrar outra oportunidade. E se você resolver passar por esse portal, claro que vai existir um preço a ser pago.

Mas... essa não é a questão.

A questão é: será esse preço maior ao que você está pagando agora?

Outro segredo que todos sabem mas ninguém lembra em situações como essa: nada acontece para nos prejudicar.

Tudo o que aoontece em nossas vidas, acontece simplesmente para nos salvar... seja para sair de uma situação ou para provarmos a nós mesmos que o caminho que estamos percorrendo é o certo.

Mas não se engane ao pensar que você está cometendo um erro, ou sinta-se culpado a ponto de não poder seguir em frente. Parafraseando a famosa música : "eu não nasci pra sofrer".
O que nós consideramos sofrimento, pode ser um aprendizado.

Por isso, nada de culpar Afrodite, Venus, moi, com essa coisa de pessoa certa na hora errada! Não é minha culpa se eu vejo que você precisa passar por isso!! Não é minha culpa que eu sinta que você está triste e precisa de um pequeno tempero para mostrar como a vida pode ser diferente e use meu pó de pirlimpimpim pra te elevar a outro nível de realidade.

Eu continuo fazendo meu trabalho... e, humano, por favor, aprenda...

domingo, 17 de abril de 2011

Paradise

O que seria o Paraíso para você?

Reflexões a parte, o que seria aquilo que você mais quer? Ou aquilo que te traria mais paz? O que deixaria você em êxtase apenas por estar ali? Apenas por você poder estar ali?

Paraíso, paradise... o desejo pode conduzir você aonde você quiser. E você poderá achar que está no Paraíso. E a única coisa que poderá provar que não é o paraíso é quando em segundos aquela paz termina. Acima de tudo, paraíso é quando você satisfaz o seu desejo e se mantém em paz.

O inferno, acredito, não é repleto de pessoas más, ou pessoas que não souberam viver, ou viveram demais, mas pessoas que simplesmente não souberam encontrar a paz. E vivem em tormento.

Quantas pessoas pensam que estão vivendo em paz, mas na verdade, elas apenas estão matando um tempo precioso em sua vida; elas sorriem , mas não dão risada. Elas sofrem estando em jejum por algo melhor, e preferem ficar se afogando em migalhas eternamente. Mesmo ansiando por algo a mais. E vivem o seu inferno pessoal, aprisionados em suas próprias regras.

Verdadeira paz só pode vir através do verdadeiro sofrimento, através da verdadeira superação. E o inferno é o caminho difícil para encontrar a paz. Não há atalhos, não há como ir pelo céu ou pelo mar. Você simplesmente tem que passar por ele. É como aquela música que você deve caminhar pela tempestade, para esperar o sol do outro lado.

As vezes, quero sentar com Afrodite e conversar com ela sobre essas coisas, mas ela é tão leve... tão etérea, que parece que tudo é tão fácil para ela... tudo parece ser tão tranquila... Ser uma deusa deve ter suas vantagens... afinal, o que ela mais tem é tempo e poder e isso parece deixa-la tão tranquila...

Voltando ao assunto: Paraíso... onde é o seu? Qual o seu? Como ficar lá?



by Sappho

sábado, 19 de março de 2011

Crianças

Adoro todas as crianças! Amo-as pelo seres humanos maravilhosos que elas são, pela perseverança, pela energia... se todos os adultos fossem um pouco como crianças, eu me pergunto se haveria guerras, ou haveria discórdia. Crianças aprendem rápido, conseguem esquecer rápido as dores e os tombos. E a possibilidade de resolução dos problemas é tão simples... que chego a gargalhar. É sabedoria que nenhum adulto tem.

São tão honestas que beiram a crueldade, mas são puras; portanto, a crueldade vem da ignorância. E é essa mesma pureza que lhes dota de capacidade de perdão. Elas perdoam com facilidade, desprovidas de orgulho.

Ao crescermos, perdemos um pouco dessa doçura e ganhamos em amargor, o que nos traz a tona a dificuldade de perdão e a sensação de sempre perdermos algo, de sempre querermos estar por cima de qualquer situação. Ganância de ter sempre mais, para poucas horas de prazer. De sermos donos de uma razão que não é absoluta, mas em nossa mente, é soberana.

Se a eternidade me concedeu algo foi a possibilidade de ficar horas e horas em parques de diversão, observando os adultos e observando as criaças. Crianças quando ainda são crianças, até seus 8 anos, quando ainda não são pré-adolescentes, quando ainda não têm vergonha, ou ainda não foram infectadas pelos virus de ser adulto, de ter seu tempo contado pelo relógio ou a sensação de estarem sendo observadas. Quando o mundo ainda é um jardim, ou o escorregador mais próximo; quando o tempo pode ser infinito e ainda existe potes de ouro no fim do arco-íris; quando tudo o que elas querem ainda é comer todo o chocolate que podem, e toda a carne do prato sem precisar do arroz e feijão; quando dinheiro não é uma preocupação. Quando sexo e amor são coisas fora de sua compreensão e o olhar carinhoso de seus pais contém todo o amor que elas precisam.

Por isso é tão triste e catastrófico testemunhar como os adultos usurpam a infância de suas proles tão rapidamente; crianças em faróis, crianças pedindo esmolas, crianças cuidando de seus irmãos mais novos, fazendo jantares quando nem ao menos conseguem carregar a panela; quando a vida é ocupada por passatempos que as façam ser adultos melhores e não para aproveitar seu tempo como crianças; sem contar os pedófilos roubando toda a inocência em corpinhos subdesenvolvidos.

Seremos reflexos dos adultos antes de nós? Seremos uma faceta de cada adulto que passou em nossa vida?

Como diz Mary Poppins: se você ficar alimentando os pombos o que você vai ter?
Pombas gordas!

Se assim for... por que nós, como adultos, não podemos absorver os reflexos das crianças que permeiam nossa vida? Será que não seria esse o equilíbrio da vida? Por que é tão dificil os adultos escutarem o que seus filhos precisam e não o que suas crianças interiores perderam?

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

quanto custa?

How much for that dumbass on the window?
You may ask
How much for that dumbass on the window
You may say
Salesgirl looks at you with disgust
The look is full with steaming poison
It says it is the cheapest item on the store
It says it is not worth it
It says you shouldn´t bother to go for it
It says… who the fuck wants a dumbass?
But the salesgirl spits the price
How much for that dumbass on the window?
What the hell, the stray dog says
a dumbass is always good
The dumbass believes you
And knows how to pleases you
The dumbass trusts you
And shows affection
When you got nothing to lose
When you got nothing to pay with
When you want to trick and deceive
And hurt something beautiful
The dumbass is just a dumbass
Careless about the own heart
the price is not too high
How much for that dumbass on the window?
You may ask… but look again...
How much for that dumbass on the mirror?


by Sappho

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

I wish I may, I wish I might, have this wish I wish...

...mas cuidado com o que você pede... você pode ter... e você pode se arrepender...

Quantas vezes a gente pensa que quer algo com todas as nossas forças.... e lutamos tanto para ter aquilo... e quando você consegue, você diz: "que bosta"?

Ou: "se eu soubesse..."

Ou: "se arrependimento matasse..."

Claro que há vezes que você pensa: "sou feliz. Agora, sou feliz".
Mas esse pensamento vem com o tempo. Existe uma alegria momentânea, um momento de desespero e, então, o tempo traz a felicidade verdadeira.

Por outro lado, tudo requer tempo. Tudo é efeito dominó. Você precisa desejar para conquistar e querer o que se conquistou.

A vida realmente é capciosa, e aquela cena do filme O Advogado do Diabo faz sentido quando Al Pacino diz que Deus colocou em nossa vida uma piada... "toque, mas não experimente! Experimente...mas não engula!"

Não vou mexer em Deus, Zeus, Alá, ou em nada, mas existe um pensamento alentador por trás de toda conquista que aparenta ser mal fadada: nada é por acaso.

Você aprende em todos os momentos... desejos e conquistas existem para tirar você do muro, para conscientizar sobre problemas que você não sabe resolver e acabam criando soluções na forma de impasses, que a saída é a sua escolha entre evolução ou involução. Tudo depende aonde você tem coragem de chegar.

A única coisa chata de conquistas é que você pode perder seu tempo... mas nunca a experiência! E, aos poucos, você aprende a garimpar o que vale a pena ir atrás ou o que simplesmente não tem utilidade em sua vida.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

não é minha... mas adorei!

Eu vi essa reportagem no site da folha de S. Paulo. E adorei!
Acho que estou neste estágio no momento!

Espero que aproveitem... e vamos pedir um executivo, porque é disso que a gente gosta, deuses ou mortais: fartura!

Ah, sim: se não quiser ler tudo, vá até o fim da reportagem, no título: "UM RESTAURANTE PARA QUEM CANSOU DE SER GOURMET". A-m-e-i isso!


Gente cansada da arrogância gourmet busca comida sem frescura
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IARA BIDERMAN
DE SÃO PAULO

Para você que come caviar e sonha com miojo. Ou que sonha com caviar, mas não aguenta mais ouvir coisas como uma-incrível-técnica-que-um-bistrô-em-Paris usa para servir as ovas. Para você que tem preguiça de discutir a metafísica da abobrinha.

Enquete: Você já cansou do papo gourmet?

Esta história é para você.

Comida boa, todo mundo gosta. Mas o problema é que, para o gourmet, não basta comer: tem que contar.

"O gourmet nunca esquece o nome do morto. E enquanto o come, faz menção expressa a ele, seja javali ou alcachofra, e lembra de outros assassinatos e devorações anteriores, porque o prazer de comer deve vir acompanhado da memória de festins passados."

A descrição acima foi feita em 1990 pelo escritor espanhol Manuel Vásquez Montalbán (1930-2003), autor de "Contra los Gourmets" (sem tradução para o português).

Ótimo se prazer e palavrório se complementam, o último prolongando o primeiro. Mas, de lá para cá, muitas trufas brancas rolaram, e o pessoal se esqueceu de que o verbo não substitui a carne (ou o peixe ou o frango).

"Com a modernização da culinária e a hipervalorização da alta gastronomia, as pessoas estão ficando cada vez mais 'sofisticadas', mas cada vez mais chatas. Elas discutem o prato em vez de comer", diz André Barcinski, crítico da Folha e assumido "bom garfo".

SEM FRESCURA

Barcinski é crítico de cinema, não de gastronomia. Mas quando postou em seu blog o "Guia da culinária ogra", surpreendeu-se com a quantidade de leitores solidários e famintos, como ele, por comida sem frescura.

A reação do público cansado do papo-gourmet, seja ao vivo ou pela TV, também é sentida pelo ator Paulo Tiefenthaler, que encarna o apresentador Paulo de Oliveira, do seriado "Larica Total" (Canal Brasil).

A série, que parte para a terceira temporada, é uma sátira aos programas de culinária tradicionais e aos chavões da gourmelândia.

Na proposta do programa "nada de faisões, trufas ou fungos australianos (...) nem outras raridades psico-sofisti-palhaçadas de carinho." A culinária de guerrilha é feita de "clássicos" como yaksobra, sushi de feijoada e bolinho de miojo.

Após a estreia do programa, no final de 2008, Tiefenthaler conta que começou a ser parado na rua por todo o tipo de gente querendo dar a sua receita trash.

"Acho que as pessoas começaram a sair do armário. Me dizem que se sentem aliviadas vendo o programa, perdem a vergonha de não serem 'chiques'."

Mas a tropa de resistência aos modismos gastronômicos ainda terá de comer muito feijão e arroz até se impor.

"Estou escrevendo um cardápio para cliente e tenho que pôr 'tartelete de alho-poró mimoso'. Não posso sugerir: 'massinha com creme de milho'. Vê que humilhação tenho que passar?", diz Nina Horta, colunista da Folha e dona do bufê Ginger.

Segundo ela, apesar de uns poucos grandes cozinheiros ("no máximo 0,5%") fazendo comida nova e gostosa, os experimentos e supostas sofisticações já deram o que tinham que dar, para a maioria das pessoas.

JAVALI COM BLUEBERRY

"Essa comida não é minha nem de ninguém. Você já entrou na casa de sua vizinha e viu ela comendo javali com molho de blueberry e agrião doce?", pergunta Nina.

Ela arrisca uma teoria: "Parece que o sexo ficou uma coisa complicada, então, em vez de conversar sobre homem ou mulher, ficam falando de comida."

Nina não tem certeza se as pessoas preferem risoto com funghi chileno colhido na primavera a transar, mas está quase certa que muitos gostam é de se exibir.

Ela conta que, depois de entrar no Facebook, quase começou uma briga. O motivo foi um comentário na rede: "Alguém escreveu [no Facebook]: 'Que vontade de comer um peito de pato tomando um Chablis na beira do Sena'. Ai, que preguiça...".

Silvia Guimarães Couto, do restaurante Da Silvinha, se incomoda com esse papo. "Comida foi feita para você se alimentar e curtir. Mas fica todo mundo querendo ser francês e complicar. Já me perguntaram 'quem assina' minha comida. E olha que eu sirvo arroz, feijão e farofa."

FOOD VICTMS

Nina Horta diz estar cansada do que ela chama de "food victims", vítimas das modas gastronômicas.

"Desconfio sempre das modas. A nouvelle cuisine, cheia de frescuras, surgiu na época dos yuppies, que tinham muito dinheiro para gastar. Agora, se as coisas que as pessoas podem comer têm que ser mais baratas, vão começar a glamorizar outros tipos de comida. É um jeito de serem felizes com aquilo que têm."

Desse ponto de vista, a reação ao papo-gourmet não surge apenas porque as pessoas cansaram, mas também porque precisam gastar menos para sustentar o prazer.

A chef Heloisa Bacellar, do restaurante "Lá da Venda", acredita que não é só isso. "Há pessoas cansadas de afetação e arrogância, de gente dizendo que você tem que gostar de algo ou que você não pode gostar de, sei lá, estrogonofe, porque agora virou cafona."

Bacellar lembra que o movimento por "comida de verdade" está crescendo em vários países do mundo.

O problema é começarem a glamorizar demais a dobradinha, e você ser chamado de esnobe e fora de moda só por não gostar de tripas.

UM RESTAURANTE PARA QUEM CANSOU DE SER GOURMET

Características da cozinha ogra segundo o crítico (de cinema, não de culinária) André Barcinski

1 - Não pode ter nome começando por "Chez" ou terminando por "Bistrô"

2 - A comida precisa ocupar ao menos 85% da área total do prato (com preferência para iguarias com um taxa de ocupação de mais de 100% dos pratos, como bifes que caem pelas bordas dos pratos)

3 - Não pode ter "chef" e sim "cozinheiro". Não pode ter "menu", e sim "cardápio"

4 - Algumas palavras estão terminantemente proibidas nos cardápios: "nouvelle", "brûlée", "pupunha", "espuma", "lâmina", "lascas" e "contemporânea"

5 - Os garçons não podem ser modelos, manequins ou atores, com preferência para velhos e feios

6 - Os garçons precisam passar no teste da colherzinha, que consiste em servir arroz com uma só mão, juntando duas colheres, sem derramar um grão sequer

7 - Não pode ficar dentro de shopping center

8 - O teste final: se o garçom, ao ser perguntado "o que é 'El Bulli'?", responder qualquer coisa que não seja "é onde eu sirvo o café", o restaurante está sumariamente eliminado

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

como voltar?

Sabe aquela sensação de ir longe demais para poder voltar?

Então... tem aquela nave, Apolo 13. Eles estavam indo para a Lua. Missão importante, né? Ainda mais na década de 60 e começo da 70, quando missões espaciais definiram grande parte dos acontecimentos nesta década.

Então... Apolo 13, indo para a Lua.

Só que chega um ponto que acontece um acidente de percurso. E os astronautas descobrem que eles não poderão voltar do ponto onde eles estão. E também não terão condições de pousar na Lua. Eles terão que dar a volta completa na Lua para poder retornar a Terra. Ou seja, além de não poder completar a missão, eles terão que ver a Lua ao longe para , então, voltar para seus lares.

Tudo bem que o restante da história é simplesmente eles se manterem vivos e o grave seria passar pela face escura da Lua. Mas isso não é importante. O importante é: o que fazer quando o que deveria ser simples, o que é previsto, torna-se imprevisto?

Acompanhando os humanos e sua vida, seus prazeres e dores, percebo que situações imprevistas, ou mesmo previstas, geram mudanças e transformam a todos. Ninguém consegue simplesmente voltar ao ponto de onde estava sem antes dar a volta completa pela Lua... Nenhum deles consegue voltar a sua vida anterior ao vislumbrarem essa percepção exterior.

Como em Thelma e Louise... grande filme! No momento de decisão, elas sabem que a vida anterior não mais era o seu lugar.
Ou em Senhor dos Anéis: como voltar a vida anterior quando você começa a entender, que ali não é mais o seu lugar. Você mudou, você cresceu... você sofreu. Você não é mais a mesma pessoa. Você não pode ficar ali, porque não é mais o seu lugar.

E como seguir em frente, então, quando sua situação atual não permite? Quando sua realidade exige a presença do seu outro “eu” ... o “eu” que não faz mais parte da sua vida? O que fazer quando tudo para você diz para seguir em frente e você não pode?
Não há respostas prontas e nem fórmulas pré estabelecidas para caminhos que devemos tomar. Mas sempre há cafés e boas padarias para sentar e tomar um suco, ou uma média (adoro os nomes que os humanos criam para as coisas) para pensar na vida... e para onde ir!

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

você é tão trivial...

Aqui estou eu... é noite, de um dia qualquer. E eu estava pensando ser a pessoa mais importante do mundo. Afinal, deuses devem se sentir assim, né? Até que eu ouvi Sappho chorando no outro canto da casa. Sim, chorando... eu espero até que ela se afaste do computador (onde passa horas e horas trabalhando incessantemente... assim acho que é...) e vá até o banheiro recompor-se. E eu vejo que ela estava escrevendo sobre um de seus casos amorosos mais dolorosos. Primeiro: não sei a razão de dissecar constantemente relacionamentos antigos. Sei que os poetas, escritores, cantores, artistas e por aí vai tiram seus melhores trabalhos da sua maior dor. Ver que Amy Winehouse fez um grande cd após uma desilusão amorosa. E de tanto que foi forçada a cantar a respeito, acabou perdendo parte da dignidade aos olhos de todos. Mas isso é outra história. Assim como a eterna divagação sobre casos que não deram certo, geralmente por detalhes, também não é a questão.

A questão aqui é que eu não sou deusa de ninguém, nem razão para ninguém que não queira que eu seja essa razão.

Assim como eu não sairia de casa por ninguém que valesse a pena. Somos os deuses outras pessoas, e tratamos outras pessoas como deuses.

Certa vez, eu ouvi da Tori Amos em uma de suas músicas:"você pode me fazer gozar, mas isso não te torna Jesus". Essa é a verdade pura e incontestável. Você só é alguém na vida de outrém se for permitido. Caso contrário, você é só mais alguém que passou por ali. Nada mais.

E você é tão trivial. Tudo é trivial. O que torna importante é o valor atribuido para aquele momento. O quanto você foi necessário para aquele instante. E depois disso... trivialidade. Tanto quanto o arroz e feijão para o brasileiro. Ou moussaka para um grego. Ou pimenta para um mexicano.

A coisa boa da trivialidade é que meses depois de afastamento, vem a saudade imensurável de como você podia ser feliz e não fez nada para mudar. Como acrescentar um bife ao arroz e feijão... Ou um azeite na moussaka. Ou mais feijão na pimenta.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Seja você...

Sim, eu sei... houve um sumiço. Desaparecimento. Pensamos que nunca mais voltaríamos. Mas... cá estamos! Firmes e fortes.

Viagens ao redor do mundo nessa época do ano - Natal, Ano Novo, férias - são obrigatórias. Afinal, eu sou uma deusa do amor! E essa é a época que as pessoas amam! Sentem-se possuídas por algo maior do que elas, sentem-se felizes por estarem com suas famílias, agradecidas por terem uma família, caridosas com os mais pobres e infelizes; as pessoas sentem-se generosas por terem tanto e querem dividir tudo isso.

Amam tanto que uma aura gira forte ao redor do corpo delas, irradiando luz para todos os que vêem. Época que os orfanatos ficam cheios com os padrinhos; que os albergues recebem a melhor comida; que uma obrigação se torna disposição: receber aquele tio que ninguém quer receber, fazer a ceia para aquela pessoa indesejável... adotar um bichinho de rua em um abrigo.

Sabe o que é legal nessa época? É que todos irradiam tanto amor, tanta paz e compreensão, promessa de vida nova quando vai chegando 31/12... esperança! A esperança brilha nos olhos das pessoas.

Agora... interessante, porque chega Janeiro e tudo se esvai. Acaba-se a caridade... sobram-se poucos que amam... o calendário vira, as resoluções fluem ralo abaixo junto com a chuva porque, na verdade, Dezembro é um mês como Janeiro, Fevereiro.... e por aí vai. Dezembro também termina. E começa janeiro.

Não estou sendo pessimista, nem nada. E nem estou especificando nada. Estou generalizando as coisas como eu vejo. Como eu sei que elas são. Não estou dizendo para deixarem de amar, ou de fazer caridades... mas por que tudo não pode acontecer todos os meses do ano? Por que somente 01 mês?

Eu faço meu trabalho, faço todos amarem e se apaixonarem, mas para que isso aconteça as pessoas também devem estar abertas a isso. Deixa eu contar um segredo: ninguém, nem os deuses, tem o poder sobre você se você não estiver disposto a ceder esse poder.

Seja você, sempre, nunca a época do ano que você vive. Siga o que você acredita ser correto, não o que os outros dizem, o que as campanhas publicitárias dizem... Que as esperanças sejam suas, não o clima traduzido pelas outras pessoas... caso contrário , nada, nunca, vai mudar.